sábado, 27 de abril de 2013

Sua voz continua roucamente linda quando você acorda? Você continua arregrando os olhos de um jeito fofo que só você sabe fazer quando tira os óculos? E o seu cheiro? Ainda é aquele que até hoje está em mim? Você ainda fica segurando um cigarro entre os dedos esquecendo de ascender quando vai  admitir pra alguém que está amando? Aliás, me diga isso, sem meias palavras, sem medo de me machucar: depois de nós dois você conseguiu ficar inteiro? Porque eu ainda tô aqui tentando juntar os meus pedacinhos. Por favor, não me entenda mal. É só que eu fiquei meio perdida entre o que eu conseguia antes e depois de te conhecer. E amar é uma dessas cosias que eu acho que nunca mais vou consegui fazer. Não desse jeito. Acho que a única pessoa pode me enxergar de verdade e que me tocou fundo foi você. Eu continuo digitando seu número toda vez que quero contar uma boa notícia a alguém. Permaneço querendo ouvir sua voz dizendo que tudo vai ficar bem depois de um dia exaustivo. Eu ainda sonho com o som da sua risada toda vez que conto uma piada sem graça. Eu sinto falta das vezes que a gente conversava besteira e ria sem parar, eu sinto falta de quando você implicava comigo e depois tentava se desculpar. Eu sinto falta do jeito que você ignorava o mundo pra responder as minhas perguntas. E da sua mania insuportável de criticar tudo que eu fazia só pra me irritar. Eu sinto falta até do frio polar do ar-condicionado que me deixava com dor nos ossos, mas que se você estivesse por perto eu aguentava. Eu morro um pouco todos os dia por não receber mais nenhuma mensagem sua. As mensagens mais lindas desse mundo Os seus pedidos de desculpas quando você finalmente admitia que estava errado. Dói não te ver mais jogando Plants vs Zumbies bem ali na minha frente ou lendo seus livros e falando das suas nerdices que eu ainda amo tanto. Eu sinto falta do que você diria quando eu contasse que perdi o controle pela milésima vez e briguei com alguém que gosto muito. E da lição de moral que me daria quando eu contasse que eu larguei tudo por me sentir incapaz. Eu sofro pelo seu cheiro que eu nunca mais pude sentir, por você ali, sempre ao meu lado, iluminado os meus dias. Pelas vezes que você tentou - nem mais vai tentar- me abraçar e eu sempre me esquivava. Pra ser mais franca, eu sofro por tudo o que foi e não é mais e por tudo o que a gente poderia ter sido. Tanta coisa. Eu ainda choro por você todas as noites.

Mas e aí? Você já descobriu onde a gente errou? Eu ainda me questiono todas as manhãs o porque que a gente não deu certo. Porque estávamos sim apaixonados. Ainda quebro a cabeça tentando encontrar nossas falhas. Fico aqui, como uma doida, querendo saber: se a gente amava tanto um ao outro porque teve que se afastar? Porque o nosso final não foi feliz como todos os outros  que nunca acabam quando terminam. No fundo eu só queria saber o porque que a gente teve que ter um final. Uma droga de final.