sexta-feira, 12 de julho de 2013

Conheço uma menina que conheceu um cara. Eles se tornaram amigos há algum tempo. Ótimos amigos, aliás. Eles se viam quase todos os dias. Conversavam sobre tudo, de um jeito que ninguém mais entendia. E as pessoas gostavam de tentar fazer isso o tempo todo.
Ele, um louco. Ela, uma apaixonada por loucos.
Essa tal menina falava, escrevia e desenhava tudo o que bem entendia. E o que não entendia também. Dragões. Rosas. Flores. Corações. Aspirais. O infinito. Buscava resposta nas páginas dos livros. Diziam que ela estava perdida no labirinto que criou antes de dormir. Draminha. Mas no fundo ela só buscava alguém que pudesse entender.
O menino, pelo que me contaram, ainda não sabia lidar com um monte de coisas. Como tomar decisões. Havia um lugar ocupado na segunda gaveta do armário. Última página do bloquinho. Poucos nomes, uma ordem.
Em uma noite qualquer, vulneráveis como sempre, eles se beijaram. Uma. Duas. Três vezes. Parecia tão simples. Coisa de centímetros. Entre os braços. Depois, entre os lábios. Ele não tinha muita certeza. Ela nem se importava.
Agora as coisas entre eles estão meio bagunçadas. Indiretas coladas numa parede que ele simplesmente atravessa. Ele apagou a luz. Esta ali, mas não quer ver. Acho que não quer machucá-la. Não quer perder a amiga, mas também não quer ver a amiga sofrer para sempre. Mas ás vezes parece que ele a esconde do mundo. E isso dói. É a vítima e o culpado ao mesmo tempo.
Quanto tempo de espera? Ela quis saber.
Como ele não diz, digo eu: Não existe resposta. Existe pôr-do-sol. Um depois do outro.
Gosto muito da menina e admiro o menino. Quero que eles sejam felizes. Como amigos, como amantes, como almas que se entendem. Dia sim, dia não. Enquanto valer a pena.