quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Eu tenho uma casa que falta móveis e vive bagunçada – mesmo que eu passe a madrugada arrumando. Tenho um caderno de anotações na cama que me faz companhia toda noite. Quando eu penso-penso-penso e não entendo, pego a caneta, tiro a tampa com a boca e escrevo. A maior parte das coisas é bobagem. Algumas delas eu deveria tratar em terapia. O resto, meu bem, só alguém que eu ainda não conheço entenderia.
Eu tenho uma penca de assuntos não pendentes e trabalhos para terminar. Mas acho que eu gosto um pouquinho desse sentimento de pendência que ocupa e preenche aquele velho vazio. Meus textos não seriam meus textos sem meus dramas, então, não me desfaço deles tão rápido facilmente. Lidar com a dor é algo que me faz sentir viva. Mesmo que isso quase me mate.
Às vezes eu ainda digo bobagens e sou contraditória, mas Deus me livre de ser sempre tão correta. Tenho uma estante na sala cheia de livros que ainda não li, mas sempre que vou a livraria, não resisto, compro mais três. Acho que é porque eu gosto de saber que existem novos títulos ali, me esperando, para quando eu estiver pronta para cada um deles. Porque eles me entendem e esperam. Porque eles não vão fugir.
Eu tenho um monte de sonhos novos. Tenho também um monte de emails não lidos, ligações não atendidas e coisas para resolver. Coisas que só dependem de mim, mas eu ando precisando de um tempo. Porque essa pressão tem deixado meu corpo no automático e minha alma no silencioso.
Eu tenho uma gaiola de costelas que protegem o meu coração. É tão frágil. Se eu estiver distraída com os fones, um ônibus pode me atropelar. Não existe nenhuma garantia. Não há nenhum contrato. As letras miúdas diziam que a felicidade é uma questão de ponto de vista, mas eu não sei direito se consigo alcançar.

-B.V