terça-feira, 6 de agosto de 2013

Te espero sentada com meu melhor vestido. É uma espera suicida, eu sei, porque não há garantia nenhuma de que você virá. E essa longas esperas tem me feito tão resistente a dor e a decepção ultimamente... Mas ainda assim, te espero sentada com meu melhor vestido. Quem sabe um dia a gente se esbarra, quem sabe um dia você me diz que sim. Quem sabe um dia você aceite esse imenso amor que de tão grande já não cabe em mim.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Eu pensei direito, fiz uma pesquisa, eu li a respeito e a gente é um só. Eu nos vi no espelho e contei nossos dedos, não fica vermelho, a gente é um só. Sem você, eu sumo, eu morro de fome, eu perco meu rumo, eu fico menor. Eu tenho o seu gosto, eu sou do seu jeito e a cor do seu rosto eu já sei de cor. Mas se você planeja nos partir ao meio, então nem pestaneja e faça sem dó.

O meu desespero é que quando acaba, você fica inteiro, e eu fico o pó.

-Clarice; Um Só

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Eu tenho uma casa que falta móveis e vive bagunçada – mesmo que eu passe a madrugada arrumando. Tenho um caderno de anotações na cama que me faz companhia toda noite. Quando eu penso-penso-penso e não entendo, pego a caneta, tiro a tampa com a boca e escrevo. A maior parte das coisas é bobagem. Algumas delas eu deveria tratar em terapia. O resto, meu bem, só alguém que eu ainda não conheço entenderia.
Eu tenho uma penca de assuntos não pendentes e trabalhos para terminar. Mas acho que eu gosto um pouquinho desse sentimento de pendência que ocupa e preenche aquele velho vazio. Meus textos não seriam meus textos sem meus dramas, então, não me desfaço deles tão rápido facilmente. Lidar com a dor é algo que me faz sentir viva. Mesmo que isso quase me mate.
Às vezes eu ainda digo bobagens e sou contraditória, mas Deus me livre de ser sempre tão correta. Tenho uma estante na sala cheia de livros que ainda não li, mas sempre que vou a livraria, não resisto, compro mais três. Acho que é porque eu gosto de saber que existem novos títulos ali, me esperando, para quando eu estiver pronta para cada um deles. Porque eles me entendem e esperam. Porque eles não vão fugir.
Eu tenho um monte de sonhos novos. Tenho também um monte de emails não lidos, ligações não atendidas e coisas para resolver. Coisas que só dependem de mim, mas eu ando precisando de um tempo. Porque essa pressão tem deixado meu corpo no automático e minha alma no silencioso.
Eu tenho uma gaiola de costelas que protegem o meu coração. É tão frágil. Se eu estiver distraída com os fones, um ônibus pode me atropelar. Não existe nenhuma garantia. Não há nenhum contrato. As letras miúdas diziam que a felicidade é uma questão de ponto de vista, mas eu não sei direito se consigo alcançar.

-B.V